“O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, já dizia o autor de os sertões, Euclides da Cunha. Realmente, para quem convive diariamente com os sertanejos, essa máxima se confirma. Eu, particularmente, afirmo, peremptoriamente, que a vida do povo do sertão é uma vida dura, cheia de sacrifício, de espinhos, de dificuldades, de pelejas. Com toda essa cruz pesada, essa gente não esmorece, não se entrega, igual a mandacaru em tempo de seca.
É aqui, neste chão seco, torrado, rachado, sol causticante e calor insuportável, que exerço meu ministério sacerdotal. Um contexto de atuação pastoral marcado pela dor do sofrimento. A seca é uma das maiores causas dessa realidade de via crucis. E ao longo de minha atuação nessa região, tenho presenciado cenas dramáticas que fizeram sofrer meu coração de pastor: Cenas de fome, de sede, de desespero, de grito por socorro, de abandono pelos poderes públicos, de revoltas e de morte.